segunda-feira, 3 de agosto de 2020

ANATOMIA DO FÍGADO

                                                            


 

1.       Características Gerais:

·         Maior glândula do corpo, pesando cerca de 1500 g, sendo que todos os nutrientes absorvidos pelo trato GI são levados ao fígado primeiro, pelo sistema venoso porta (exceto: gordura)

 a) Possui duas faces:

 o   Face diafragmática: lisa e em forma de cúpula, relaciona-se com a face inferior do diafragma, formando recessos. Ela é coberta por peritônio visceral, exceto posteriormente, que é NUA, onde está em contato direto com o diafragma.

 

                    Fonte: NETTER, F. H. Atlas de Anatomia Humana. 2ed. Porto Alegre: Artmed, 2000.

  § Área nua: demarcada pelo reflexo do peritônio do diafragma para o fígado,  como as lâminas anterior e posterior do ligamento coronário.

                                    §  Na parte direita, esse ligamento forma o ligamento triangular D, e no lado
                                    esquerdo forma o ligamento triangular
                                    §  VCI atravessa um profundo sulco da veia cava na área nua
                                                                            
          

o   Face visceral: coberta por peritônio, exceto na fossa da vesícula biliar e porta do fígado

 §    Fissura sagital D: sulco contínuo formado anteriormente pela fossa da vesícula biliar e posterior pelo sulco da VCI

 §  Fissura sagital E: sulco contínuo formado anteriormente pela fissura do ligamento redondo (remanescente da veia umbilical, segue para o ligamento falciforme) e posteriormente pela fissura do ligamento venoso (remanescente do ducto venoso fetal)

                                                                                  

                                                  Fonte: NETTER, F. H. Atlas de Anatomia Humana. 2ed. Porto Alegre: Artmed, 200

b)  Recessos:

o   Recessos subfrênicos:  dividido em direito e esquerdo pelo ligamento falciforme

o   Recesso sub-hepático: imediatamente inferior ao fígado

 o   Recesso hepatorrenal ou Bolsa de Morison: é a extensão posterosuperior, situado entre a parte direita visceral do fígado e o rim + glândula suprarrenal direita

 

 

2.      Lobos do fígado

 a) Anatômicos:

     Dividido em 2 lobos anatômicos e 2 lobos acessórios:

 o   Fissura sagital E: separa o lobo hepático em D grande e E pequeno na face visceral. Na face diafragmática, ela é dividida pelo ligamento falciforme.

 o   Fissura sagital D + porta transversa: separa o lobo direito em dois lobos acessórios, o lobo quadrado (anterior) e o caudado (posterior), em que o processo caudado fica entre a VCI e a V. Porta

 

 

·  b) Funcional

 o   Recebe seu próprio ramo de artéria primária e veia porta, drenado pelo seu próprio ducto hepático.

 o   Lobo caudado: 3º fígado, recebe vascularização própria e drenagem própria

 o   Fissura sagital D: separa o fígado em D e E, na face visceral.

 o   Linha de Cantlie / Fissura Portal Principal (1) : separa o fígado em D e E, na face diafragmática, que segue da fossa da VB até VCI.

       

 o   Subdivisões: são subdivididas verticalmente em medial e lateral pela fissura portal direita (2 – V. Hepática D) e fissura umbilical/ligamento falciforme (3 – V. Hepática E).

§  Cada uma das 4 divisões (lobo E, lobo funcional E IV, lobo caudado e lobo funcional D) recebe ramo secundário da tríade portal

§  Já os demais 6 (II, III, V, VI, VII, VIII) recebe ramo terciário da tríade portal

 

                                               

3.       Vasos Sanguíneos do Fígado

 a) V. Porta    

o   Curta e larga: trajeto de 7-8 cm

o   Formação: pela união da VMS + V. esplênica, posteriormente ao colo do pâncreas

o   Função: traz de 75 – 80% do sangue para o fígado, contendo oxigenação reduzida, mas rico em nutrientes do TGI para os sinusóides hepáticos, exceto lipídeos.

o   Trajeto: sofre bifurcação ao entrar na p do fígado, nutrindo os lobos funcionais D e E, também chamados de ramos primários

       

o   Anastomoses portossistêmicas: proporcionam circulação colateral em caso de obstrução no fígado ou veia porta, usando o sistema de VCI para levar sangue para o coração

§  Esôfago: tela submucosa da parte inferior, localizado entre as veias esofágicas à v. ázigo (sistêmica) ou v. gástrica E (portal), formando as varizes esofágicas quando dilatadas devido a obstrução portal

§  Ânus: tela submucosa, localizado entre as v. retais inferior e média à VCI (sistêmica), e a v. retal superior à VMI (portal). A formação de hemorroidas é devida prolapso da mucosa, e não da hipertensão portal

§  Paraumbilical:  as v. paraumbilicais (portal) se anastomosam com pequenas v. epigástricas da parede abdominal (sistêmica)

§  Retroperitoneais: as v. retroperitoneais da árede abdominal posterior ou diafragma (sistêmico) anastomosam com a v. cólica, esplênica ou porta (portal)

                                    
b) A. Hepática

o   Origem: ramo do tronco celíaco

o   Trejaeto: A. Hepática Comum (do Tronco à A. Gastrodueodenal) à A. Hepática Própria (A. Gastroduodenal à Bifurcação da A. Hepática)  à A. Hepática (dividida em D e E na porta do fígado), suprindo os lobos funcionais D e E do fígado, também chamados de ramos primários

        

 

      c) V. Hepáticas

o   Divisão: D, M e E

o   Drenagem: VCI ß V. Hepáticas ß V. Coletoras ß Veias Centrais

                     

 d) Drenagem linfática

o   Importante produtor de linfa: corresponde a ½ ou ¼ de toda linfa recebida no ducto torácico

o   Espaço perissinusoidais: forma a maior parte da linfa, drenando para os linfáticos profundos, nas tríades portais intralobulares

 

 4.       Ductos Biliares e Vesícula Biliar

 a) Lóbulos hepáticos

o   Veia Central: cada lóbulo tem seu próprio, do qual se irradiam sinusoides e lâminas de hepatócitos

o   Sinusoides: grandes capilares, levam sangue da v. porta à  v. central

o   Hepatócitos: secretam bile para os canalículos biliares

o   Canalículos biliares: levam a bile produzido pelos hepatócitos à ductos biliares à ductos coletores à ductos hepáticos D e E à ducto hepático comum

o   Tríades portais interlobulares: ducto biliar + ramo final da veia porta + ramo final da art. Hepática

                         

b) Vesícula Biliar

o   Tamanho: 7 – 10 cm de comprimento, podendo armazenar 50 mL de bile

o   Localização: fossa da VB na face visceral do fígado, fixado a este pela cápsula fibrosa do fígado

o   Partes:

§  Fundo: extremidade larga e arredonda

§  Corpo:  toca a parte visceral do fígado, o colo transverso e o duodeno

§  Colo: estreita, voltada para a porta do fígado

 

·  c) Bile

o   Trajeto: sai do fígado através dos canalículos biliares à ductos biliares à ductos coletores à  ducto hepático D e E à ducto hepático comum que se unem com o ducto cístico para forma o ducto colédoco.

                  o   Formação contínua: nas refeições ela se acumula e é armazenada na vesícula biliar

o   Função: emulsifica a gordura para ser absorvida pelo intestino

                         

 

d) Ducto cístico:

o   Tamanho: 3-4 cm

o   Composição: prega espiral, que ajuda a manter o ducto cístico aberto, recebendo a bile quando é desviada do ducto colédoco

o   Triângulo cistohepático (Calot): formado pelo ducto cístico, ducto hepático comum e a face visceral do fígado, em que a artéria cística origina-se

o   Suprimento arterial: art. cística

o   Drenagem venosa:

§  Veias císticas: drenam a parte do colo da VB e do ducto cístico, e vão em direção a veia porta

§  Veias sinusóides: drenam o fundo e o corpo da VB. Como essa drenagem ocorre de um leito capilar para outro, constitui sistema porta adicional (paralelo)

o   Inervação:

§  Plexo nervoso celíaco: fibras de dor aferentes viscerais

§  Nervo vago: parassimpático, causa contração da VB e relaxamento dos esfíncteres da ampola de Vater, estimulado pelo CCK liberado pelo duodeno em resposta a chegada de gordura.

§  Nervo frênico D: fibras aferentes somáticas

 

   e) Ducto colédoco

o   Tamanho: 5 a 15 cm de comprimento

o   Trajeto: desce posterior ao duodeno, situando na face posterior da cabeça do pâncreas. No lado esquerdo, se une com o ducto pancreático, formando a ampola hepatopancreática (Vater), desembocando na papila maior do duodeno

o   Músculo esfíncter do ducto colédoco: localizado na extremidade do ducto colédoco, quando o esfíncter contrai, a bile não consegue entrar na ampola, refluindo e seguindo de volta para a vesícula

 

 o   Suprimento arterial

§  Art. Cística: irriga a parte proximal

§  Art. Hepática D: irriga a parte médica

§  Art. PDPS e Gastroduodenal: irrigam a parte retroduodenal

 o   Drenagem venosa

§  V. PDPS: drena a parte distal do ducto, esvaziando na v. porta

    

  

Casos Clínicos

 

·         Baço

o   Ruptura de baço: órgão mais lesado no trauma, em caso de fratura de costela, ou por aumento da pressão intra-abdominal, causando ruptura e hemorragia intraperitoneal.

o   Esplenectomia: o reparo da ruptura é difícil, por isso costuma-se fazer esplenectomia para conter a hemorragia, não tendo efeitos graves, sobretudo em adultos, pois suas funções são assumidas por órgãos reticulo endoteliais

o   Esplenomegalia: ocorre em anemia hemolítica ou granulocítica, com aumento de destruição de hemácias e leucócitos respectivamente.

o   Baço acessório: ter consciência de que é muito comum, e no caso de uma esplenectomia, os sintomas que indicaram a retirada (anemia esplênica) podem persistir se ele não for removido

 

·         Pâncreas

o   Obstrução da ampola de Vater: quando um cálculo obstrui a ampola, a bile pode refluir para o ducto pancreático, causando pancreatite. Se houve um ducto pancreático acessório que se abra no duodeno, pode anular o efeito dessa obstrução.

o   Colangiopancreatografia Retrógrada Endoscópica (CPRE): chega na papila maior através de uma cânula, através da introdução de um contraste, para identificar doença pancreática

o   Tecido pancreático acessório: pode surgir no estomago e duodeno, podendo conter ilhotas pancreáticas produzindo glucagon e insulina

o   Pancreactectomia: tratamento para pancreatite crônica, em que é removida grande parte do pâncreas, não sendo possível sua remoção total, preservando a cabeça do pâncreas.

o   Ruptura do pâncreas: costuma romper seu sistema ductal, permitindo que seu suco pancreático entre no parênquima da glândula, digerindo a própria glândula ou os tecidos adjacentes

o   Câncer de pâncreas: representa a maior parte das obstruções extra-hepática dos ductos biliares.

§  Cabeça: devido sua anatomia, um tumor na cabeça do pâncreas obstrui o ducto colédoco ou a ampola de Vater, resultando em acúmulo da bile, aumento da VB e icterícia.

§  Corpo e colo: devido sua anatomia, pode causar obstrução da veia porta ou VCI. Como ele costuma apresenta metástase e sua proximidade com o fígado, torna-se quase inútil a ressecção cirúrgica.

·         Fígado

o   Ruptura do fígado: grande e facilmente lesado. As lacerações costumam causar grandes hemorragias, devendo o cirurgião decidir entre remover o material e o tecido desvitalizado ou realizar uma segmentectomia

o   Hepatomegalia: toda elevação de pressão venosa central é diretamente transmitida ao fígado, que aumenta de tamanho quando se enche de sangue. Causas são ICC, hepatites, bacterianas, carcinoma metastático

o   Cirrose hepática: destruição progressiva dos hepatócitos, substituídos por gordura e tecido fibroso. Por ter grande reserva funcional, os sinais metabólicos demoram a aparecer. Causa: alcoolismo crônico

o   Biópsia hepática: agulha inserida no 10º espaço intercostal direito, na LAM

 

·         Vesícula Biliar

o   Móvel: estão sujeitas a torção e infarto e acomete cerca de 4% das pessoas

o   Ducto hepático acessório: cuidado na colecistectomia, pelo risco acidental durante a cirurgia, podendo drenar bile para dentro da cavidade

o   Cálculos biliares: quanto mais tempo os cálculos permanecerem latentes, menor é a probabilidade de surgir sintomas, devendo alcançar um tamanho suficiente para causar lesão mecânica da VB ou obstrução das vias biliares. Eles podem se alojar na ampola, ductos císticos e hepáticos.

§  Ducto cístico: cólica biliar, dor espasmódica intensa, causando colecistite em razão do acúmulo da bile

§  Fístula colecistoentérica: ela permite que um cálculo, incapaz de passar pelo ducto cístico, entrasse diretamente no trato intestinal, causando obstrução intestinal (papila ileal). Ela também permite a entrada de gás do trato digestório para a vesícula biliar, produzindo um sinal radiológico diagnóstico.

o   Colecistectomia: dissecção cuidadosa do triangulo de Calot. Antes de dividir qualquer estrutura e retirar a VB, os cirurgiões identifica os 3 ductos biliares, a artéria cística e hepática comum. 


Fonte: Moore, Keith L. Anatomia Orientada para a Clínica, 7ª edição

 

 

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Anatomia do Fígado

LÚPUS ERITEMATOSO SISTÊMICO