1. Características Gerais:
· Maior glândula do corpo, pesando cerca de 1500 g, sendo que todos os nutrientes absorvidos pelo trato GI são levados ao fígado primeiro, pelo sistema venoso porta (exceto: gordura)
a) Possui duas faces:
o Face diafragmática: lisa e em forma de cúpula, relaciona-se com a face inferior do diafragma, formando recessos. Ela é coberta por peritônio visceral, exceto posteriormente, que é NUA, onde está em contato direto com o diafragma.

Fonte: NETTER, F. H. Atlas de Anatomia Humana. 2ed. Porto Alegre: Artmed, 2000.
§ Área nua: demarcada pelo reflexo do peritônio do diafragma para o fígado, como as lâminas anterior e posterior do ligamento coronário.
o Face visceral: coberta por peritônio, exceto na fossa da vesícula biliar e porta do fígado
§ Fissura sagital D: sulco contínuo formado anteriormente pela fossa da vesícula biliar e posterior pelo sulco da VCI
§ Fissura sagital E: sulco contínuo formado anteriormente pela fissura do ligamento redondo (remanescente da veia umbilical, segue para o ligamento falciforme) e posteriormente pela fissura do ligamento venoso (remanescente do ducto venoso fetal)

Fonte: NETTER, F. H. Atlas de Anatomia Humana. 2ed. Porto Alegre: Artmed, 200
b) Recessos:
o Recessos subfrênicos: dividido em direito e esquerdo pelo ligamento falciforme
o Recesso sub-hepático: imediatamente inferior ao fígado
o Recesso hepatorrenal ou Bolsa de Morison: é a extensão posterosuperior, situado entre a parte direita visceral do fígado e o rim + glândula suprarrenal direita
2. Lobos do fígado
a) Anatômicos:
Dividido em 2 lobos anatômicos e 2 lobos acessórios:
o Fissura sagital E: separa o lobo hepático em D grande e E pequeno na face visceral. Na face diafragmática, ela é dividida pelo ligamento falciforme.
o Fissura sagital D + porta transversa: separa o lobo direito em dois lobos acessórios, o lobo quadrado (anterior) e o caudado (posterior), em que o processo caudado fica entre a VCI e a V. Porta
· b) Funcional
o Recebe seu próprio ramo de artéria primária e veia porta, drenado pelo seu próprio ducto hepático.
o Lobo caudado: 3º fígado, recebe vascularização própria e drenagem própria
o Fissura sagital D: separa o fígado em D e E, na face visceral.
o Linha de Cantlie / Fissura Portal Principal (1) : separa o fígado em D e E, na face diafragmática, que segue da fossa da VB até VCI.
o Subdivisões: são subdivididas verticalmente em medial e lateral pela fissura portal direita (2 – V. Hepática D) e fissura umbilical/ligamento falciforme (3 – V. Hepática E).
§ Cada uma das 4 divisões (lobo E, lobo funcional E IV, lobo caudado e lobo funcional D) recebe ramo secundário da tríade portal
§ Já os demais 6 (II, III, V, VI, VII, VIII) recebe ramo terciário da tríade portal
3. Vasos Sanguíneos do Fígado
a) V. Porta
o Curta e larga: trajeto de 7-8 cm
o Formação: pela união da VMS + V. esplênica, posteriormente ao colo do pâncreas
o Função: traz de 75 – 80% do sangue para o fígado, contendo oxigenação reduzida, mas rico em nutrientes do TGI para os sinusóides hepáticos, exceto lipídeos.
o Trajeto: sofre bifurcação ao entrar na p do fígado, nutrindo os lobos funcionais D e E, também chamados de ramos primários
o Anastomoses portossistêmicas: proporcionam circulação colateral em caso de obstrução no fígado ou veia porta, usando o sistema de VCI para levar sangue para o coração
§ Esôfago: tela submucosa da parte inferior, localizado entre as veias esofágicas à v. ázigo (sistêmica) ou v. gástrica E (portal), formando as varizes esofágicas quando dilatadas devido a obstrução portal
§ Ânus: tela submucosa, localizado entre as v. retais inferior e média à VCI (sistêmica), e a v. retal superior à VMI (portal). A formação de hemorroidas é devida prolapso da mucosa, e não da hipertensão portal
§ Paraumbilical: as v. paraumbilicais (portal) se anastomosam com pequenas v. epigástricas da parede abdominal (sistêmica)
§ Retroperitoneais: as v. retroperitoneais da árede abdominal posterior ou diafragma (sistêmico) anastomosam com a v. cólica, esplênica ou porta (portal)
o Origem: ramo do tronco celíaco
o Trejaeto: A. Hepática Comum (do Tronco à A. Gastrodueodenal) à A. Hepática Própria (A. Gastroduodenal à Bifurcação da A. Hepática) à A. Hepática (dividida em D e E na porta do fígado), suprindo os lobos funcionais D e E do fígado, também chamados de ramos primários
c) V. Hepáticas
o Divisão: D, M e E
o Drenagem: VCI ß V. Hepáticas ß V. Coletoras ß Veias Centrais
d) Drenagem linfática
o Importante produtor de linfa: corresponde a ½ ou ¼ de toda linfa recebida no ducto torácico
o Espaço perissinusoidais: forma a maior parte da linfa, drenando para os linfáticos profundos, nas tríades portais intralobulares
4. Ductos Biliares e Vesícula Biliar
a) Lóbulos hepáticos
o Veia Central: cada lóbulo tem seu próprio, do qual se irradiam sinusoides e lâminas de hepatócitos
o Sinusoides: grandes capilares, levam sangue da v. porta à v. central
o Hepatócitos: secretam bile para os canalículos biliares
o Canalículos biliares: levam a bile produzido pelos hepatócitos à ductos biliares à ductos coletores à ductos hepáticos D e E à ducto hepático comum
o Tríades portais interlobulares: ducto biliar + ramo final da veia porta + ramo final da art. Hepática
b) Vesícula Biliar
o Tamanho: 7 – 10 cm de comprimento, podendo armazenar 50 mL de bile
o Localização: fossa da VB na face visceral do fígado, fixado a este pela cápsula fibrosa do fígado
o Partes:
§ Fundo: extremidade larga e arredonda
§ Corpo: toca a parte visceral do fígado, o colo transverso e o duodeno
§ Colo: estreita, voltada para a porta do fígado
· c) Bile
o Trajeto: sai do fígado através dos canalículos biliares à ductos biliares à ductos coletores à ducto hepático D e E à ducto hepático comum que se unem com o ducto cístico para forma o ducto colédoco.
o Formação contínua: nas refeições ela se acumula e é armazenada na vesícula biliaro Função: emulsifica a gordura para ser absorvida pelo intestino
d) Ducto cístico:
o Tamanho: 3-4 cm
o Composição: prega espiral, que ajuda a manter o ducto cístico aberto, recebendo a bile quando é desviada do ducto colédoco
o Triângulo cistohepático (Calot): formado pelo ducto cístico, ducto hepático comum e a face visceral do fígado, em que a artéria cística origina-se
o Suprimento arterial: art. cística
o Drenagem venosa:
§ Veias císticas: drenam a parte do colo da VB e do ducto cístico, e vão em direção a veia porta
§ Veias sinusóides: drenam o fundo e o corpo da VB. Como essa drenagem ocorre de um leito capilar para outro, constitui sistema porta adicional (paralelo)
o Inervação:
§ Plexo nervoso celíaco: fibras de dor aferentes viscerais
§ Nervo vago: parassimpático, causa contração da VB e relaxamento dos esfíncteres da ampola de Vater, estimulado pelo CCK liberado pelo duodeno em resposta a chegada de gordura.
§ Nervo frênico D: fibras aferentes somáticas
e) Ducto colédoco
o Tamanho: 5 a 15 cm de comprimento
o Trajeto: desce posterior ao duodeno, situando na face posterior da cabeça do pâncreas. No lado esquerdo, se une com o ducto pancreático, formando a ampola hepatopancreática (Vater), desembocando na papila maior do duodeno
o Músculo esfíncter do ducto colédoco: localizado na extremidade do ducto colédoco, quando o esfíncter contrai, a bile não consegue entrar na ampola, refluindo e seguindo de volta para a vesícula
o Suprimento arterial
§ Art. Cística: irriga a parte proximal
§ Art. Hepática D: irriga a parte médica
§ Art. PDPS e Gastroduodenal: irrigam a parte retroduodenal
o Drenagem venosa
§ V. PDPS: drena a parte distal do ducto, esvaziando na v. porta
Casos Clínicos
· Baço
o Ruptura de baço: órgão mais lesado no trauma, em caso de fratura de costela, ou por aumento da pressão intra-abdominal, causando ruptura e hemorragia intraperitoneal.
o Esplenectomia: o reparo da ruptura é difícil, por isso costuma-se fazer esplenectomia para conter a hemorragia, não tendo efeitos graves, sobretudo em adultos, pois suas funções são assumidas por órgãos reticulo endoteliais
o Esplenomegalia: ocorre em anemia hemolítica ou granulocítica, com aumento de destruição de hemácias e leucócitos respectivamente.
o Baço acessório: ter consciência de que é muito comum, e no caso de uma esplenectomia, os sintomas que indicaram a retirada (anemia esplênica) podem persistir se ele não for removido
· Pâncreas
o Obstrução da ampola de Vater: quando um cálculo obstrui a ampola, a bile pode refluir para o ducto pancreático, causando pancreatite. Se houve um ducto pancreático acessório que se abra no duodeno, pode anular o efeito dessa obstrução.
o Colangiopancreatografia Retrógrada Endoscópica (CPRE): chega na papila maior através de uma cânula, através da introdução de um contraste, para identificar doença pancreática
o Tecido pancreático acessório: pode surgir no estomago e duodeno, podendo conter ilhotas pancreáticas produzindo glucagon e insulina
o Pancreactectomia: tratamento para pancreatite crônica, em que é removida grande parte do pâncreas, não sendo possível sua remoção total, preservando a cabeça do pâncreas.
o Ruptura do pâncreas: costuma romper seu sistema ductal, permitindo que seu suco pancreático entre no parênquima da glândula, digerindo a própria glândula ou os tecidos adjacentes
o Câncer de pâncreas: representa a maior parte das obstruções extra-hepática dos ductos biliares.
§ Cabeça: devido sua anatomia, um tumor na cabeça do pâncreas obstrui o ducto colédoco ou a ampola de Vater, resultando em acúmulo da bile, aumento da VB e icterícia.
§ Corpo e colo: devido sua anatomia, pode causar obstrução da veia porta ou VCI. Como ele costuma apresenta metástase e sua proximidade com o fígado, torna-se quase inútil a ressecção cirúrgica.
· Fígado
o Ruptura do fígado: grande e facilmente lesado. As lacerações costumam causar grandes hemorragias, devendo o cirurgião decidir entre remover o material e o tecido desvitalizado ou realizar uma segmentectomia
o Hepatomegalia: toda elevação de pressão venosa central é diretamente transmitida ao fígado, que aumenta de tamanho quando se enche de sangue. Causas são ICC, hepatites, bacterianas, carcinoma metastático
o Cirrose hepática: destruição progressiva dos hepatócitos, substituídos por gordura e tecido fibroso. Por ter grande reserva funcional, os sinais metabólicos demoram a aparecer. Causa: alcoolismo crônico
o Biópsia hepática: agulha inserida no 10º espaço intercostal direito, na LAM
· Vesícula Biliar
o Móvel: estão sujeitas a torção e infarto e acomete cerca de 4% das pessoas
o Ducto hepático acessório: cuidado na colecistectomia, pelo risco acidental durante a cirurgia, podendo drenar bile para dentro da cavidade
o Cálculos biliares: quanto mais tempo os cálculos permanecerem latentes, menor é a probabilidade de surgir sintomas, devendo alcançar um tamanho suficiente para causar lesão mecânica da VB ou obstrução das vias biliares. Eles podem se alojar na ampola, ductos císticos e hepáticos.
§ Ducto cístico: cólica biliar, dor espasmódica intensa, causando colecistite em razão do acúmulo da bile
§ Fístula colecistoentérica: ela permite que um cálculo, incapaz de passar pelo ducto cístico, entrasse diretamente no trato intestinal, causando obstrução intestinal (papila ileal). Ela também permite a entrada de gás do trato digestório para a vesícula biliar, produzindo um sinal radiológico diagnóstico.
o Colecistectomia: dissecção cuidadosa do triangulo de Calot. Antes de dividir qualquer estrutura e retirar a VB, os cirurgiões identifica os 3 ductos biliares, a artéria cística e hepática comum.
Fonte: Moore, Keith L. Anatomia Orientada para a Clínica, 7ª edição
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